Dê brilho e credibilidade ao seu evento. Nelson Gonçalves é o palestrante que vai deixar seu público satisfeito com o conteúdo, alegre com a descontração e inquieto com as reflexões.

Nunca fui muito afeito a analogias futebolísticas. São pobres na formulação e seu caráter imaginativo permanece sempre no raso. Coisa de quem não tem repertório, lê pouco e fala demais sem ter nada a dizer. Mas quero discutir por que Diego Maradona é um lider e Dunga, não!

Nunca fui muito afeito a analogias futebolísticas. São pobres na formulação e seu caráter imaginativo permanece sempre no raso. Coisa de quem não tem repertório, lê pouco e fala demais sem ter nada a dizer. Mas hoje, ainda em clima de desclassificação da nossa seleção na Copa do Mundo, me rendo à minha própria presunção e vou usar a analogia futebolística para falar sobre liderança.

Finda a era Dunga à frente da Seleção Brasileira de Futebol podemos constatar que o mesmo jamais foi um líder. Foi um gerentão à moda antiga, daqueles que obedecem as ordens e que levou para o cargo os mesmos cacoetes de quando era capitão do time, só que agora com poderes para convocar e desconvocar quem bem entendesse.

Sem nunca haver treinado nem mesmo um time de várzea, Dunga chegou a Seleção, sabe-se lá Deus por quais caminhos ou indicações, mas sem o aval da torcida, e ao longo dos quase quatro anos que ocupou o posto de treinador nunca fez muita questão de agradar a torcida. Seu mandato chega ao fim e ninguém sentirá falta.

É certo que futebol não é coisa séria – exceto para os cartolas que dele se locupletam – e que os jogadores, agora desclassificados, são jovens milionários que voltarão aos seus clubes e aos salários estratosféricos, mas Copa do Mundo é um evento mágico, com a capacidade inebriante de mover corações e mentes em torno do sonho de superar adversários imaginários e elevar a nação ao topo do mundo. È a catarse coletiva dependendo das atitudes de um único homem.

O técnico tem a missão e a autoridade de agregar em torno de um sonho coletivo e de um projeto estratégico os melhores atletas do seu país. Ao contrário do líder empresarial, não há limite de verba ou território para a convocação. Pode chamar quem, quando e quantas vezes quiser. Mas tem um detalhe fundamental: Precisa ser estratégico, competente, cônscio da responsabilidade, preparado para a missão e acima de tudo carismático para motivar o time e dele arrancar resultados. Carismático para conquistar apoio da cúpula da Confederação e envolver a nação de torcedores como se fosse um só corpo correndo atrás do mesmo sonho. E isso é para poucos. É para líderes natos e não para aqueles forjados em acordos.

A CBF nunca deu muita bola – sem trocadilho – para o clamor da torcida, mas faz de conta que o torcedor desempenha um papel mais importante do que comprar ingressos para os jogos. Os técnicos também fazem ouvidos de mercador e montam o time da sua cabeça sem prestar atenção no desejo da torcida. Foi o caso de Dunga. Montou um ajuntado de atletas ao seu bel prazer e desprezou nomes que qualquer incauto em futebol – como eu – teria convocado.

Passou. Acabou a copa para os brasileiros e prova que futebol não é coisa séria é que o técnico foi demitido por e-mail. A CBF e seus dirigentes, que também deveriam ter se demitido, sequer tiveram a decência de conversar com o servidor “incontinenti” conforme ele mesmo definiu em sua carta de despedida.

Mas e o torcedor? Achou bacana!

Ninguém, afora os amigos e familiáres, saiu em defesa do técnico e não é porque a ferida ainda esteja aberta. É por que ele jamais conquistou o coração do torcedor, mesmo quando venceu. E venceu muito. Venceu mas não construiu a ponte necessária que todo verdadeiro líder deve construir. A ponte da admiração e do respeito. Dunga não foi além da “pinguela” da autoridade inerente ao cargo.

O verdadeiro líder dessa Copa do Mundo foi o espalhafatoso hermano Maradona, que mesmo com o brio e o orgulho em frangalhos, adentrou o gramado, consolou e agradeceu cada um dos seus atletas. Afinal, ali, todos haviam sucumbido frente a um adversário mais forte e melhor preparado. Mas ainda assim era um time. Machucado mas orgulhoso com o peso da camisa que vestia e da pátria que representava.

Ao retornar para casa, time e técnico foram recebidos com aplausos e afeto pelo torcedor Argentino que lhes reconhecem o trabalho, o empenho e a liderança. Mesmo na derrota! E olhe que Maradona, até esse mundial não era lá nenhum exemplo de comportamento nem de conduta, e muito provavelvente nunca o será. Mas teve a altivez e a sabedoria de conquistar o povo. Coisa de Argentino? Não, coisa de líder!

Nelson Gonçalves é jornalista e palestrante

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Nelson Gonçalves
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